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Decoração ajuda a criar filhos autossuficientes

Dentro do conceito de arquitetura sensorial, pode-se eleger o método Montessoriano para o quarto das crianças, que prioriza a autoeducação.

Oferecer elementos posicionados na altura da criança estimula o desenvolvimento e a autonomia de forma segura para que ela se sinta à vontade ao explorar o espaço. É o que diz Mariana Crego, que cursou arte e arquitetura na FUA - Florence University of the Arts, em Florença.

Segundo a arquiteta, para criar um ambiente Montessoriano, o mais importante é projetar um espaço adequado para o desenvolvimento da criança, capaz de permitir a livre expressão de suas capacidades. “Opte por uma cama baixinha para que tenha mais independência ao deitar e levantar, e em uma decoração minimalista, com poucos brinquedos em esquema de rodízio, assim ela pode explorar cada objeto e desenvolver a concentração”, explica Mariana.

Em um ambiente rico e estimulante, a criança torna-se capaz de aprender sozinha por meio de suas próprias experiências, desenvolvendo-se de forma espontânea, criativa e saudável. “Não existe uma forma personalizada, o quarto não deve ser para crianças, mas das crianças, ou seja, não organizada para sua chegada, mas estruturada a partir de sua criação. O importante é ter uma perspectiva que vai além da aparência puramente decorativa. A prioridade é a liberdade da criança, ponto fundamental no desenvolvimento da criatividade”, explica Mariana.

A proposta de desenvolver a autonomia e a liberdade das crianças, por meio dos componentes clássicos do quarto Montessoriano pode ser colocada em prática assim que o bebê chega da maternidade e não existe, a princípio, uma idade específica para abandonar o método, a não ser quando a própria criança demonstra o desejo de fazer uma mudança. Mas há um período em que o modelo se mostra mais eficaz.

O ideal, no caso da criança recém-nascida, é trocar o berço por um colchão no chão ou tatame, no começo utilizando um moisés sobre ele e almofadas na lateral do colchão, que pode ficar encostado na parede. “O espaço fica bem mais aconchegante”, diz a arquiteta.

  

Até cinco anos, na medida em que a criança cresce, pode-se trocar o colchão por uma cama baixinha de madeira ou de espuma. Outro objeto que não pode faltar, segundo a arquiteta, é um espelho, que serve para a criança se conhecer, observando a sua própria imagem. “Nesta idade, já dá para colocar uma mini mesa com uma mini cadeira, criando um cantinho de atividades”.

No período da puberdade e adolescência deve-se priorizar a autoeducação. O sistema Montessoriano do quarto pede que tudo esteja ao alcance das mãos. É importante passar conhecimento e o papel do ser humano no mundo de maneira organizada, estimulando a imaginação do jovem. “A criança deve ser a dona do quarto para ganhar mais autonomia. Assim ele irá se sentir muito mais segura e aprenderá a valorizar o espaço e a se adequar ao que ele oferece”, diz Mariana. Prateleiras com livros e brinquedos didáticos são prioridades qualquer idade.

As cores também podem influenciar esta decoração. A opção de fazer um quarto Montessoriano neutro ou bem colorido vai depender dos estímulos que se quer dar à criança. “Quartos com tons de nude estão super na moda, mesclados com um só tom mais forte. Você pode fugir da monotonia utilizando papéis de parede ou adesivos com estampas fofas e coloridas”.

Por ser um estilo de decoração no qual a criança está muito presente, os estímulos sensoriais são despertados desde cedo também. A diferença de textura entre um tapete e o piso, os brinquedos e até mesmo músicas e iluminações com intuito terapêutico e aromas calmantes são fatores que só colaboram para que a criança se desenvolva da forma mais completa possível.

 

O que não pode faltar para a aplicação do método

 

Bete Fernandes Said, designer de interiores e diretora da empresa Stylo e Classe e da Stylo Kids, especializada em móveis montessorianos, elenca os principais pontos do conceito:

 

- Deixar a cama no nível do chão;

- Ter um espelho na altura da criança;

- Como a criança vai explorar o chão, é essencial o cuidado com a temperatura do piso. Se for frio, é preciso colocar um tapete;

- Segurança é outro ponto importante. Muita atenção na proteção de tomadas, apoio de portas, quinas de mesas... O ambiente deve estar preparado para ser explorado pela criança;

- Livros e brinquedos devem estar bem acessíveis, às mãos da criança, até mesmo para elas descobrirem que estragam.

 

A designer explica que o quarto é apenas a primeira etapa. Todos os ambientes da casa podem ser preparados para o autoconhecimento da criança, conforme o trajeto que ela vai explorando. “O Método Montessoriano reforça a segurança da criança, sua autoestima, pois ela vai se sentindo segura conforme consegue desenvolver as atividades sozinha – sempre sob a supervisão de um adulto, claro. É um conceito que vai além da decoração. O intuito é a criança se enxergar como um ser, descobrir e desenvolver suas capacidades, o que gera uma personalidade confiante”, conclui a designer.

 

A idealizadora

 

 

Maria Montessori, nascida em Chiaravalle, Italia, em 31 de agosto de 1870, foi uma educadora, médica, católica e pedagoga. É conhecida pelo método educativo que desenvolveu e que ainda é usado em escolas públicas e privadas pelo mundo, em que se valoriza a importância da liberdade, da atividade e do estímulo para o desenvolvimento físico e mental das crianças. Para ela, liberdade e disciplina se equilibrariam, não sendo possível conquistar uma sem a outra. Adaptou o princípio da autoeducação, que consiste na interferência mínima dos professores, pois a aprendizagem teria como base o espaço escolar e o material didático.

 

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