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No mundo da fantasia

Sonia Menna Barreto: premiada pintora surrealista, que se atreveu a sair do lugar comum para conquistar importantes espaços, no Brasil e lá fora.

Não é todo dia que uma pintora brasileira tem sua arte selecionada por um importante acervo europeu. Sonia Menna Barreto foi além: sua obra Leonard Cheshire foi recebida em cerimônia no Palácio de Buckingham e incorporada ao acervo da Royal Collection, da família real inglesa, fazendo de Sonia a primeira artista brasileira a integrar esta coleção.

Sônia nasceu em São Paulo e com 10 anos ingressou num curso de artes plásticas. Aos 16, foi aluna de Waldemar da Costa, proeminente pintor da época, em São Paulo. Depois vieram as primeiras participações em mostras e, em 1980, começou a frequentar o ateliê do artista Luiz Portinari, irmão de Cândido Portinari. Durante este período, conheceu a vida artística, os movimentos, ouviu muitas histórias e conviveu com grandes pintores, escritores e poetas.

Após o contato com os trabalhos de Max Ernst, De Chirico, Magritte e Paul Delvaux, a obra de Sônia tomou a direção do Surrealismo. “Essa fase foi decisiva para a minha carreira. Passei a desenvolver meu lado intimista e criativo, solucionando problemas técnicos e temáticos, sem mais acompanhamento de professores”.

Com um espírito bastante criativo, a pintora busca terras e personagens que habitam a imaginação das pessoas de todas as idades. Pode ser uma gota pendurada no varal, um divertido cenário em que se vê reis, damas e valetes sentados à mesa jogando cartas, ou uma sala de cinema onde Frankenstein, O Homem de Lata e o Drácula, entre outros personagens clássicos, são expectadores de filmes, e não protagonistas. “Quando alguém olha para o meu trabalho e sorri, isto quer dizer que entenderam ao menos uma porção do seu significado e que eu alcancei a minha meta. Quero divertir e emocionar quem vê a minha obra”, explica.

 

Há sempre uma história por trás da imagem, pintada na forma de um conto e há quase sempre uma situação engraçada, contada com humor. “Divirto-me com o poder de misturar passado e presente numa mesma imagem. Assim como a técnica antiga que uso, óleo sobre linho em suporte rígido, somada à nova imagem que crio”, compara Sonia, que foi buscar referência para o seu trabalho nos pintores flamengos do século XV, no hiper-realismo e nas minúcias da técnica francesa do Trompe L’oeil.

Sonia cria, em média, dez originais por ano. Deles vem as serigrafias e giclées. A solução para o dilema de como produzir pouco e ter o trabalho reconhecido e bem divulgado surgiu numa feira de arte, em New York, no ano de 1991. “O evento abriu horizontes para eu buscar os múltiplos, como as gravuras. Comecei fazendo serigrafias e depois as impressões na técnica giclée. Isso possibilitou a minha entrada em outros países e uma divulgação maior, que era exatamente o que eu buscava e dificilmente conseguiria só com os originais”.

Anos mais tarde, nesta mesma feira, a artista foi despertada para o licensing de imagens, conseguindo agregar ainda mais valor à sua produção. Atualmente, é parceira da Stave Puzzles, empresa que produz um dos mais sofisticados quebra-cabeças do mundo. Trata-se do “Rolls-Royce dos puzzles”, feitos a mão e colecionados por personalidades como Bill Gates e a rainha da Inglaterra.

 “Hoje, consigo chegar à classe média, que não tem o mesmo poder de compra de um colecionador de arte, mas é de fundamental importância na minha carreira”.

Foram dezoito anos de trabalho num formato exclusivo com uma galeria em São Paulo, antes que Sonia resolvesse assumir os próprios negócios. “Comecei a investir com meus próprios recursos, contratei pessoas e agências para chegar aos meus “goals”. A época romântica, em que um marchand identificava em meio a uma multidão um verdadeiro talento e que investia na sua trajetória não existe mais. Os tempos são outros”, pontua a artista que mantém uma loja virtual, onde, além de quadros, vende porcelanas, esculturas, gravuras, gliclées, vasos, almofadas, e objetos que fazem lembrar o chá do chapeleiro louco, em Alice no País das Maravilhas.

No seu portfólio, um livro lançado em 2007, uma dúzia de prêmios, a maioria na colocação de primeiro lugar, e quase 30 participações em exposições e salões nacionais e internacionais, em Nova York, Los Angeles, Miami, Paris, Torres Vedras (Portugal), Moscou...

“Nem sempre acertarei, mas bons resultados já estão aparecendo”, comemora a artista, com muita modéstia.

 

Fotos: Divulgação.