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O autor de poltronas

O catarinense Bruno Faucz faz parte da nova geração do design nacional, jovens talentosos que conquistaram as mais exigentes vitrines da movelaria autoral, no Brasil e no exterior.

Nascido em 1986, numa região tradicional na fabricação de móveis, São Bento do Sul, Bruno Faucz desde criança cultiva o gosto pelo desenho. “Sempre tinha um lápis e papel à mão”, lembra o designer. Formado em Design de Mobiliário e pós-graduado em Master Design Internacional, iniciou sua jornada numa conceituada indústria de Santa Catarina, onde permaneceu por sete anos. Em 2013, abriu o próprio estúdio e, logo no primeiro ano, já foi convidado para expor nas semanas de design de São Paulo, Nova York e Paris.

Suas peças têm histórias para contar, em especial as poltronas, paixão cultivada desde os tempos de faculdade. Uma delas o colocou no livro “Design Brasileiro de Móveis”, que exibe uma seleção de 190 cadeiras, poltronas e bancos, criados entre 1928 e 2013, escolhidos pela consistência do trabalho de seus criadores e por serem representações autênticas do design nacional.

Jurado da CASACOR Santa Catarina, em 2014 e 2015, neste último ano expôs pela primeira vez em Milão, na Brazil S.A. e no iSaloni, participando ainda da mostra EXPO na mesma cidade a convite do escritório de arquitetura Arthur Casas. Ainda em 2015, apresentaria seu trabalho na ICFF, em NY e na Galerie Joseph, durante a Semana de Design de Paris.

Bruno define o design como a “Materialização da informação”, pois acredita que um bom projeto é concebido com base no maior número de informações coletadas nos mais diversos campos de conhecimento.

 

 

 

 

Obra Prima – Há quanto tempo você está na área de design?

Bruni Faucz – Comecei a trabalhar com mobiliário após terminar o primeiro ano da faculdade de design, no final de 2005. Trabalhei como funcionário de uma grande empresa no norte de Santa Catarina por 7 anos. Em 2013, no início do ano, abri meu escritório e desde então tenho assinado produtos para diferentes fabricantes de móveis. São 4 anos de carreira independente, mas um total de 11 anos exercendo a profissão.


 

OP – Onde completou os estudos?

BF – Estudei design de moveis pela Universidade do Contestado e fiz uma pós-graduação em Master Design Internacional pela Sustentare Escola de Negócios, ambas em Santa Catarina.


 

OP – Como despertou para a profissão?

BF – Sempre vivi em um meio criativo, minha primeira lembrança de infância tem cadernos, lápis e muito desenho. Cresci tendo certeza que gostaria de exercer uma profissão criativa, e foi no design que encontrei esse caminho.


 

OP – Como foi o começo?

BF – Quando iniciei na empresa que trabalhei por 7 anos, comecei trabalhando na área técnica, não exercia efetivamente a criação de novos produtos. Foram aproximadamente dois anos e meio elaborando todas as questões técnicas ligadas a um produto. Foi um período muito importante, pude entender a realidade de uma indústria e efetivamente aprender a engenharia de um produto. Depois, passei a criar para esta mesma empresa. Foram mais quatro anos e meio vivenciando o dia a dia de uma grande indústria, pesquisando mercado e criando novos produtos.


 

OP – O que mais lhe atrai na sua atividade?

BF – Ela é instigante, não nos permite ficar parados, é uma profissão dinâmica, que nos exige estar em constante aprendizado. 

 

OP – Onde você busca inspiração?

BF – Tudo a qualquer momento pode trazer um insight – ser curioso e estar atento é muito importante. Gosto principalmente de observar o dia a dia das pessoas, ver como interagem com os objetos é muito interessante. Isso me ajuda a enxergar oportunidades. 


 

OP – Quais são as suas referências?

BF – Gosto muito do conceito que foi "pregado" pela (escola) Bauhaus. O modernismo brasileiro também influencia meu trabalho. Talvez por serem produtos que se tornaram atemporais e permanecem atuais após dezenas de anos passados. 


 

OP – Você tem um estilo bem definido, ou segue tendências? Como adequá-las ao seu trabalho (cores, materiais, funções...)?

BF – Acredito que o trabalho de cada profissional acaba sendo conhecido por algumas características, não sei exatamente descrever meu estilo, mas algumas vezes lojistas e arquitetos já comentaram comigo que identificam meu trabalho mesmo antes de saberem que realmente é meu, acho isso fantástico.

Procuro criar o que acredito, e isso é definido pelas constantes pesquisas e a vivência de dia a dia com empresas e mercado. Materiais e cores sempre são ofertados como opções nas peças, mas sempre procuro disponibilizá-las de maneira harmônica, juntos à cada cliente.

 


OP –  Como se dá o seu processo de criação?

BF – Meu processo criativo é alimentado de maneira racional, analítica, não costumo criar grandes histórias para desenhar, prefiro analisar público, uso dos objetos, oportunidades de mercado e levar isso dentro da capacidade produtiva de cada empresa que trabalho. A parte emocional é algo muito relevante para mim - consumimos muito mais por emoção que por razão. Assim existe uma busca incansável para entender quais são os fatores que fazem com que as pessoas se identifiquem e se apaixonem por um produto, seja ele qual for.

 

OP – Há um objeto que gosta mais de desenvolver?

BF – Adoro poltronas, acho que são as peças que expressam mais identidade. Criei essa paixão ainda na faculdade, quando comecei a perceber o peso delas na carreira de grandes profissionais. Comumente, os maiores nomes têm como ícones suas poltronas.


 

OP – Fale dos desafios da sua profissão.

BF – Todo dia é desafiador, cada nova ideia executada é uma restrição para a próxima que virá, afinal de contas não posso repeti-las. Mas acho que é justamente isso que atrai: não existe rotina criativa, o desafio é uma constante para o profissional criativo.


 

OP – Existe alguma peça mais emblemática para você? Conte a história dela.

BF – Tenho histórias especiais com diversas peças. A poltrona Canela colocou meu nome no livro "Design Brasileiro de Móveis", organizado por Marcelo Vasconcellos e Zanini de Zanine, que conta a história do desenho brasileiro de 1928 a 2013. A poltrona Cavalera me colocou na semana de design de Paris em uma exposição chamada "Finding the perfect chair", em 2014 na Galerie Joseph. A poltrona Cora, hoje é meu best seller. A poltrona VIP foi destacada pelo respeitado Design Milk como um dos melhores produtos da ICFF em NY em 2015. A poltrona Bag ganhou espaço em uma homenagem do escritório Arthur Casas ao Design Brasileiro na EXPO em Milão. Bom, poderia contar uma história especial de cada peça, cada uma delas teve algo especial na minha pequena timeline que começou a ser escrita de maneira independente em 2013.