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O que esperar para a construção civil em 2018

Com tantas mudanças e inovações acontecendo no campo da construção civil, não é fácil se manter atualizado. Algumas tendências chegam tão rápido quanto vão embora, mas algumas podem e devem ser levadas a sério. É o caso dos tópicos listados a seguir, baseados no estudo Cenários Prospectivos da Const

Por Maria Cecilia Maciel

 

Melhores tecnologias

Não há nenhuma dúvida de que os avanços tecnológicos melhoraram a construção, e muito. De tecnologias móveis à nuvem, a capacidade de se conectar uns aos outros e se comunicar em vários canais facilitou muito o trabalho.

Essas ferramentas otimizam o tempo de obras, diminuem desperdícios de materiais de construção, melhoram consideravelmente a produtividade, facilitam a gestão das obras, materiais e processos, contribuem para a redução de retrabalhos e reduzem custos com mão de obra.

Para este ano que se aproxima, espere mais realidade virtual, ainda, do que seu abrangente uso ao longo de 2017. É fácil perceber o quanto isso muda a forma como profissionais e empresas visualizam os projetos antes de serem construídos. E permite que os clientes visitem sites de profissionais e empresas sem ter que fazê-lo pessoalmente. Já se constrói à distância e isso deve aumentar.

Também crescerão outras tecnologias como impressão em 3D, uso de drones, veículos auto dirigíveis, além de materiais como tijolos inteligentes, concreto permeável, sistema de impressão que possibilita pavimentar ruas com blocos de materiais sustentáveis e reciclados por meio de impressão. Outra novidade, é a tinta de absorção solar, em desenvolvimento no Canada e Inglaterra, capaz de transformar sua casa inteira em fonte de energia limpa.

 

Juros mais altos, custo mais baixo

De acordo com o estudo Cenários Prospectivos da Construção Civil de 2016 a 2018, a concessão de crédito imobiliário como um todo está caindo. Os principais motivos são: menor oferta de recursos pelos bancos, menor demanda em função da cautela dos consumidores, taxas de juros mais altas e análises de crédito mais rígidas por parte dos bancos.

A retomada da expansão do crédito imobiliário pode ser impulsionada tanto pela busca por fontes alternativas de recursos privados, como por maior incentivo à securitização de créditos imobiliários.

Já o custo da construção cresceu fortemente. O custo do m² (CUB) chegou a R$ 1.224,48 em janeiro de 2016, contra R$ 1.152,00 em janeiro do ano anterior (alta de 6,3% no período). A alta é influenciada por questões tributárias, trabalhistas, taxas de juros, preço dos insumos e disponibilidade de crédito. A projeção desse cenário para o INCC, que apura a evolução dos custos na cadeia de construção, em 2016 é de 5,7%, caindo para 4,8% em 2017 e para 3,8% em 2018.

 

Consolidação e maior desenvolvimento da sustentabilidade

Para se ter uma ideia do crescimento do setor, o número de prédios sustentáveis em todo o Brasil em 2009 era de apenas 9. Em 2016 disparou para 325, segundo dados do Sebrae.

Entre as tendências, visando a economia de água, a utilização de cisternas para captação de chuva e adoção de descargas com baixo consumo de água serão cada vez mais comuns. Além disso, haverá um maior consumo de chuveiros/torneiras certificados e aplicação de telhados verdes nas edificações.

Mais eficiência energética e aumento do número de construções que autogeram energia – de painéis solares que captam luz natural e geram energia fotovoltaica a sistemas eólicos –, estão em alta as habitações que produzem mais energia do que consomem.

A adaptação de construções antigas aos parâmetros sustentáveis, ou retrofit ecológico, traz modernização e valorização de imóveis.

 

Construção Modular em alta

Como o tempo da obra virou um fator importante, surgirão muito mais construções deste tipo. Casas prontas em até 90 dias; método construtivo normalizado, evitando problemas e defeitos; aumento do espaço sem burocracia, o que é bem relevante quando a família cresce ou se quer investir no imóvel, são algumas vantagens em contraponto à falta de personalização e criatividade.

Ideias como pop-ups e edifícios modulares já são uma realidade em grandes centros, onde se enfrenta o desafio de aproveitar melhor o pouco e caro espaço disponível.

Os módulos pré-fabricados diminuem bastante o custo de construção, deixando o preço de venda mais acessível, sem falar na redução do impacto na área urbana durante a obra. E muitos são vendidos já decorados.

 

Smart Cities

Outra tendência forte são as Smart Cities. Segundo a consultoria Frost & Sullivan, para a cadeia da construção há três parâmetros para designar uma Smart City.

Prédios e residências, implementação de eficiência energética, uso de recursos naturais e automatização de serviços.

Mobilidade, construção e novos sistemas multimodais.

Infraestrutura, demanda de sistemas mais eficientes de distribuição de energia, água e telecomunicação, além de tratamento de resíduos.

 

Para os profissionais

Mudanças relevantes estão ocorrendo na área. Algumas, desenhadas há algum tempo, continuarão em alta nos próximos anos, como as mulheres na construção. Em 2014 já eram 276.588 profissionais, trazendo comprometimento, qualidade, atenção e zelo na execução das atividades.

Agregar serviços como entrega sem custo, consultoria, aplicativos, e dicas de materiais e serviços, por exemplo, já faz parte dos pequenos negócios e deve crescer junto aos grandes. A personalização, antes mais natural nas empresas menores, ganhou espaço nas maiores. Aumenta o interesse de construir prédios com design diferenciado e opção de escolha de plantas de apartamentos.

O E-learning é mais que tendência. A qualificação de funcionários passou a ser uma necessidade, com a falta de mão de obra qualificada. A vantagem da educação à distância é a flexibilidade de horário, de escolha (em qualquer parte do Brasil e mundo), além do aluno não precisar se deslocar até a instituição de ensino.

A construção enxuta, pautada em cortes do que não agrega valor à obra; bom ritmo produtivo e realização eficiente do trabalho bem como ações coletivas para pequenos negócios são maneiras de se organizar, aproveitar as oportunidades e se fortalecer no setor.